AGRADECIMENTO

AGRADECIMENTO

Agora que as imagens do brutal e inimaginável incêndio de 15 de outubro começam a diluir-se no nosso cérebro, é tempo de saudar e de agradecer. Ninguém ficou indiferente a este drama que se viveu em três Uniões de Freguesia do concelho de Penacova e que se espalhou no fundo por toda a zona Centro. Foram horas amargas, de experiências brutais nunca vividas, foram momentos de terror que perdurarão para sempre nas nossas memórias. 
 
Esta tragédia que as chamas incontroláveis provocaram, galgando montes e vales de uma forma assustadora, dizimando tudo por onde passavam, assobiando o vento da morte e da destruição, varreram esta terra de uma ponta à outra, sem olhar a pobres nem a ricos. Como veio, assim foi alastrando o desespero, a dor e a morte para outros concelhos vizinhos. 
 
Pensamos que tudo estava perdido, mas de repente por entre choros, lágrimas, gritos de dor e raiva surge a esperança. Um grupo de jovens une-se, primeiro pela amizade que já existia, depois, porque utilizando as redes sociais conseguem formar um grupo enorme que foi crescendo cada vez mais, onde tudo parecia combinado ao pormenor, enfrentando uma logística que superou de certeza tudo com que estariam a contar.
 
Foram e continuam a ser dias de voluntariado puro, onde se calhar, nem obtiveram a ajuda necessária para o que se propuseram fazer e numa verdadeira corrida contra o tempo, encheram de bens de primeira necessidade vários locais das freguesias. Foram lutadores, guerreiros, grandes e com um coração e alma enormes, acreditando sempre mais e mais que era possível conseguir quase tudo o que era preciso para as primeiras necessidades das vitimas.
 
As pessoas quase nem quiseram acreditar, que o tal grupo dos bailes, dos copos e das festas de verão como eram apelidados, conseguissem irmanar-se num abraço enorme com todos os que foram aparecendo. Nem tudo foram rosas, ainda hoje não é. Nem todos os problemas foram resolvidos, nem tudo correu bem, mas o que conseguiram, merece o nosso aplauso e o agradecimento sincero de toda a sociedade civil. Porque senão fossem eles, conforme todos percebemos mais tarde, muito mais coisas teriam ficado por fazer. Não teria sido possível chegar tão perto das pessoas, dos que estavam a sofrer, dos que precisavam de um abraço, de um carinho, de um colo onde descansarem a cabeça e chorarem as mágoas e as dores sofridas.
 
Por isso, não pudemos ficar indiferentes e o nosso principal agradecimento é para vocês, no sentido de vos dar força e animo para continuarem tão nobre missão. Esta terra espera de todos cada vez mais, o patamar está cada vez mais alto e quem dizia que tínhamos uma geração rasca, estava completamente enganado. Vocês são o futuro, são o sal desta terra, são os que não vão baixar os braços, são os que não vão desistir e apesar do litoral estar aqui tão perto, é aqui neste cantinho que vocês vão querer, continuar a ser felizes.
 
Depois, agradecer a todas as instituições, não sendo necessário estar a nomeá-las. Todas as empresas que se prontificaram a ajudar, aos nossos emigrantes “espalhados” por toda a Europa que se organizaram em comunidade e habituados que estão às agruras da vida, unidos, recolheram e trouxeram para a sua terra Natal a solidariedade de todos demonstrando sentimentos que nos atrevemos a dizer que serão únicos no mundo. A todos os particulares que vieram um pouco de todo o lado, com os carros cheios, com os braços preparados para trabalhar. 
 
Agradecer também a todos os anónimos e não só que contribuíram e vão continuar a contribuir monetariamente para as famílias mais carenciadas. Agradecer todos os gestos de carinho e de ternura que fomos recebendo ao longo destes intermináveis dias. Agradecer ao sr. Presidente da República Prof. Marcelo Rebelo de Sousa a sua vinda à nossa terra, ainda que pelos piores motivos. Veio trazer a sua solidariedade e o abraço da Instituição que representa às vitimas, a todos os voluntários e aos nossos Bombeiros.
 
Em tempo de balanço, se é que é possível fazê-lo já, quero reconhecer o quanto somos pequeninos na luta contra o tempo, o quanto somos inferiores na luta contra a natureza. Reconhecer que apesar de tudo e com a ajuda de todos é possível fazer mais e muito melhor. Reconhecer que precisamos de estar melhor preparados contra esta luta desigual. Reconhecer que muito há ainda para fazer, que muito nos falta conquistar, que para lá da visão mundana, há outras coisas mais importantes que temos que acompanhar. A vida vai-nos dando lições, nós só temos que tirar as devidas ilações e aprender a viver.
 
Assim, num abraço fraterno, saúdo todos os nossos heróis, homenageio os que perderam a vida e os seus familiares, os que perderam quase tudo, os que vão conseguir reerguer as suas vidas, os que obstinadamente não vão desistir, os que vão continuar a lutar por uma vida melhor, por uma terra a renascer das cinzas e se assim continuar a ser, com determinação e todos unidos, poderemos continuar a dizer bem alto que,
 
“JUNTOS SOMOS MAIS FORTES” 
 
O Executivo da União de Freguesias de S. Pedro de Alva e S. Paio de Mondego
 




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