Resenha Histórica

A União das Freguesias foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das antigas freguesias de SÃO PEDRO DE ALVA e  SÃO PAIO DE MONDEGO , sendo a sua sede em SÃO PEDRO DE ALVA .
Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.
 
SÃO PEDRO DE ALVA
A estrutura latina do primeiro nome de São Pedro de Alva, de que se encontra noticia, segundo o Dr. António Carlos Proença de Figueiredo, constitui imediato indício da sua Antiguidade, a tal respeito, o Dr. Joaquim da Silveira aponta algumas explicações: “ Apesar de este topónimo ser constituído por duas palavras bem conhecidas, não é fácil conjecturar como se aplicaram para designar um lugar. 
O vocábulo Farinha sugere logo um moinho. Mas também é certo que a situação de Farinha Podre num alto, sem ribeiros correntes, mal permite pensar num engenho desses movido a água a que aquele vocábulo servisse de determinativo; e os moinhos de vento ainda não existiam no século XIII.
Assim, talvez esta estranha denominação tenha sido aplicada inicialmente, por chacota a algum simples casal ou “catraia” cujo dono ou tendeiro fosse acusado pelo povo de vender, por vezes, Farinha estragada pela humidade ou por qualquer outro motivo, chamando-lhe por isso venda (ou casal) da Farinha Podre”. 
As primeiras referências a S. Paio de Alva aparecem nas Inquisições de D. Dinis. A antiga Farinha Podre constituiu uma das chamadas comendas novas da Ordem de Cristo, avaliada no ano de 1605 em duzentos mil reis (moeda da época), e foi morgado anexo ao senhorio de Góis, donde um ramo da família tomou o apelido Farinha (Vasco Fariam). 
Nos séculos XII e XIII já aparece o nome de “Farina Putre” em documentos latinos. 
Com a denominação antiga de S. Pedro de Farinha Podre, que foi substituída pela actual por decreto de 21 de Fevereiro de 1889, foi sede do concelho de Farinha Podre (que correspondia em grande parte à unidade geográfica da região), extinto em 31 de Dezembro de 1853. Nesta data foi anexada ao concelho de Tábua, mudando para o de Penacova em 24 de Outubro de 1855.
As Inquirições de D. Dinis referem a antiga freguesia de S. Pedro de Farinha Podre, de cujas terras seria proprietário Vasco Fariam e sua família. Sabe-se que foram, igualmente, Comenda da Ordem de Cristo e sede de concelho, com o mesmo nome, extinto em 31 de Dezembro de 1853. Por decreto de 21 de Fevereiro de 1889, é feita a mudança do topónimo para São Pedro de Alva. 
Situada na zona leste do concelho, a freguesia viu nascer, em 1866, na localidade de Vale da Vinha, António José de Almeida, que viria a ser o sexto Presidente da República Portuguesa.
São Pedro de Alva, foi elevada a Vila a 16 de Agosto de 1991, estabelecido pelo Decreto-lei 99/91 de 16 de Agosto.
.
SÃO PAIO DE MONDEGO
O nome de São Paio de Farinha Podre, deve-se a esta povoação ser uma das freguesias que faziam parte da sede do antigo concelho de São Pedro de Farinha Podre, extinto em 31 de Dezembro de 1853. Além de São Paio, era constituído pelas freguesias da sede, Oliveira do Cunhedo, Paradela, Travanca, Cortiça e Covelo.. Em 1290 D. Dinis pela inquisição ordenou que o mordomo régio de Penacova entrasse nos lugares de São Pedro D´Alva, São Paio do Mondego, Paradela da Cortiça e Lufreu. Por decreto de 31 de Dezembro de 1853, São Paio da Farinha Podre passou a ser sede de uma nova freguesia do concelho de Penacova. Antes pertenceu ao concelho de Tábua.
A 28 de Setembro de 1985 de acordo com o Decreto-Lei nº 74/85, foi aprovada, pela Assembleia da República, a alteração do nome da freguesia para São Paio de Mondego. A opção veio pela proximidade com o rio Mondego. Em 1808, quando aconteceram as invasões francesas, a Igreja Matriz, com apenas  pouco mais de sessenta anos foi incendiada, dizendo os escritos, que ficou sem telhado, sem bancos, sem altares e sem o ouro que era natural naquela altura existir, o Cálice, vários castiçais de prata e muitos outros bens de incalculável valor patrimonial. A Igreja Matriz foi reconstruida com a vinda de altares de Braga de uma igreja em remodelação, dinheiro de gente abastada de vários cantos do país, em especial de Porto e Lisboa e acima de tudo “do trabalho” da gente desta terra que, sempre foi incansável na luta por objectivos comuns. 
 
"Farinha Podre está envolvido em lendas. Uns dizem que se deve à grande quantidade de milho produzido nos terrenos férteis das suas ribeiras, cujo grão depois de transformado em farinha, acabava por apodrecer em casa dos senhores da terra, por falta de escoamento, pois as vias de comunicação eram inexistentes e os poucos transportes serem feitos por tracção animal para o porto fluvial da Raiva, de onde partiam as mercadorias em barcas serranas em direcção a Coimbra e Figueira da Foz.
Outros dizem que esse nome provém de esta terra em tempos imemoriais, ter possuído um celeiro, onde os trabalhadores desta região depositavam os seus tributos para os donos da terra, acabando os mesmos (depois de transformados em farinha, num moinho movido pela tracção humana ou animal) por apodrecer, pois os donos da terra não davam vazão ao seu consumo.
Dizem ainda, que esta terra pertenceu a uma abastada família de Góis, chamada Vasco Fariam, e ter sido doada a um dos seus filhos, o qual por ser muito franzino, os seus servos lhe puseram a alcunha de Farinha Podre.
Dizem outros, que foi aquando da reconquista cristã e os senhores da terra se foram refugiar nas Astúrias, que o moinho de sua pertença entrou em descalabro e os moleiros desta terra se terem instalado junto das ribeiras e do rio Alva, criando os seus moinhos e moendas, fazendo concorrência ao moinho senhorial, e em sentido depreciativo faziam constar que este só fabricava farinha podre, ao contrário do deles onde ela saía óptima."
 
* in "Pegadas dos meus pés", de Alfredo Santos Fonseca (2006)